Olá Amigos do agro, das florestas e da siderurgia.
A newsletter de hoje é diferente. Não é técnica, não é projeto, não é conta.
É sobre aprendizados reais de 2025 à frente da Ignis Bioenergia.
Foi um ano intenso. Muito projeto, muita conversa, muita decisão difícil. E, olhando para trás, ficou claro para mim que alguns aprendizados se repetiram tantas vezes que viraram padrão. Talvez você se identifique com alguns deles.
Antes de listar esses aprendizados, preciso voltar a um momento específico. Não foi uma reunião grande, nem um marco formal. Foi algo simples, quase banal, mas que desencadeou tudo o que vem depois.
Eu lembro do som!
Não foi um grande evento. Não teve palco, nem anúncio, nem “virada” bonita para postar. Foi um som simples: o celular vibrando de novo, em cima da mesa, no meio de uma explicação técnica que eu já tinha dado três vezes para a mesma pessoa.
Eu estava no modo automático: responder, detalhar, desenhar, justificar, acalmar. E aí veio o pensamento que eu evitei por meses, porque era desconfortável demais para admitir:
“Eu construí uma casa… e estou deixando virar corredor.”
Corredor é esse lugar onde todo mundo passa, pede, pressiona, suga, e vai embora sem compromisso. Casa é o oposto: tem regra, tem silêncio, tem método, tem cultura. Casa sustenta. Corredor só escoa.
Eu vou voltar nesse momento daqui a pouco — porque foi ali que eu decidi mudar a porta. Mas antes, deixa eu te contar como 2025 me empurrou até esse ponto.
Eu sempre acreditei que excelência técnica resolvia. Que se eu explicasse bem, as peças se encaixariam. E na maioria das vezes, sim: quando o outro lado é maduro, a técnica vira linguagem comum.
O problema é que 2025 me mostrou, na prática, que “explicar bem” pode virar vício. E vício tem preço.
E o preço aparece do jeito mais traiçoeiro: você acha que está trabalhando… mas está só sendo consumido.
Quando eu percebi isso, ficou impossível desver.
A primeira explicação é alinhamento.
A segunda, muitas vezes, é resistência.
A terceira já é negociação disfarçada.
O cliente certo não precisa que você repita para ele “o básico” como se fosse um aluno desatento. Ele precisa que você sustente um método. Ele quer clareza para decidir.
O cliente errado pede explicação para adiar. Para barganhar. Para terceirizar a coragem de assumir o próprio projeto.
Em 2025, eu parei de confundir paciência com insistência. Porque insistência é quando você está tentando produzir maturidade do lado de lá — e isso não é engenharia. É desgaste.
É como tentar empurrar um carro sem motor ladeira acima: você faz força, sua, se esgota… mas o problema nunca foi força. Era ausência de motor.
"Quantas vezes você está explicando de novo algo que, no fundo, o outro já entendeu — mas não quer decidir?"
Essa é uma cena repetida.
Chega a mensagem: “Quero um orçamento.”
Eu respondo: “Perfeito. Qual o objetivo real? Quais dados mínimos você tem? Quem decide? Qual restrição manda no jogo: emissão, custo, qualidade, prazo ou logística?”
A resposta não vem. Ou vem vaga. Ou vem com pressa: “Vamos fazer assim mesmo e depois ajusta.”
E é aqui que o corredor se revela.
Em 2025 eu entendi uma frase que vale ouro no nosso setor: improviso não é agilidade. É atraso disfarçado.
Porque “depois ajusta” vira filtro saturado, chaminé reclamando, custo por tonelada explodindo, qualidade oscilando, equipe compensando no braço o que deveria estar no projeto.
Só que ninguém chama isso de “depois ajusta”. Chamam de “falta de sorte”. Ou de “mercado difícil”. Ou de “equipamento ruim”.
Não é. É falta de fundamento.
É como pedir o preço da turbina antes de saber se existe fundação para a usina. O número vem, mas não serve para nada.
"Você está discutindo preço… ou evitando a conversa sobre estrutura e responsabilidade?"
Essa foi a descoberta mais dura para mim, porque ela desloca o foco do que eu mais domino.
Eu domino tecnologia. Eu domino processo. Eu domino conta.
Mas tecnologia não funciona no vazio. Tecnologia precisa de decisão. De rotina. De padrão. De alguém que sustente o combinado quando o dia aperta.
Em 2025 eu vi projetos tecnicamente “bons” sangrarem por um motivo simples: ninguém tinha autoridade para decidir e sustentar decisão.
Reuniões infinitas. Alterações de escopo sem dono. “Vamos ver” como cultura. E aí a empresa chama isso de “flexibilidade”.
Não é flexibilidade. É falta de eixo.
E falta de eixo transforma qualquer tecnologia em improviso caro.
Uma casa sem porta não é acolhedora — é vulnerável. Todo vento entra. Toda poeira fica.
"Onde você está confundindo abertura com ausência de limite?""
Agora eu volto naquele som do celular vibrando.
Porque foi ali que eu entendi: eu estava aceitando o ritmo do outro lado como se fosse obrigação minha. Eu estava deixando ansiedade comandar a agenda. Eu estava operando como se oportunidade fosse tudo.
E aí veio a decisão silenciosa: a Ignis Bioenergia precisava de porta.
Porta não é “gentileza”. Porta é fronteira.
Em 2025 eu comecei a dizer “não” cedo. Sem agressividade, sem deboche, sem drama. “Não, desse jeito não. Sem dados, sem decisor, sem método, eu não entro.”
A consequência foi imediata: muita gente parou de entrar.
E isso foi um alívio.
Porque cada “não” bem colocado abriu espaço para um “sim” mais forte, mais profundo e mais limpo.
Uma casa sem porta não é acolhedora — é vulnerável. Todo vento entra. Toda poeira fica.
"Onde você está confundindo abertura com ausência de limite?"
Você já viu isso: o projeto começa bem, e vira uma sequência de “só mais uma coisa”.
Só mais uma visita.
Só mais uma planilha.
Só mais uma reunião.
Só mais uma alteração.
O escopo vai se esticando até não ter fim. E quando não tem fim, ele não é escopo. É drenagem.
Em 2025 eu aprendi a escrever limite sem vergonha.
O que está dentro.
O que está fora.
O que depende da tecnologia.
E o que depende do operador.
Cliente maduro respeita limite.
Cliente imaturo reclama.
E essa separação é saudável.
Escopo frouxo é como operar sem limite de carga: a estrutura aguenta por um tempo, até o dia em que cede sem aviso.
"O que hoje você chama de “flexibilidade” já passou do limite estrutural? "
No nosso jogo, informação é ativo. Em indústria, território e competitividade, o que você fala vira arma — para você ou contra você.
Em 2025 eu refinei um princípio antigo: projeto sério não é vitrine.
Eu não preciso expor o que é do cliente para provar competência. Eu preciso sustentar padrão e resultado. Discrição, aqui, não é timidez. É segurança.
Casa não exibe o que protege.
Quem anda com o cofre aberto não está sendo transparente — está sendo imprudente.
" O que você anda expondo para provar valor… quando deveria sustentar valor em silêncio?"
Esse foi o aprendizado mais humano do ano.
Eu precisei admitir que eu estava me expulsando do meu próprio território para “não perder” conversa. Eu estava trocando inteireza por volume. E volume, quando vem sem filtro, vira barulho.
Em 2025 eu aprendi a medir projeto por três perguntas simples:
Existe clareza de objetivo — ou é esperança comprando tempo?
Existe dado mínimo — ou é opinião tentando virar decisão?
Existe decisor — ou é reunião como religião?
Se uma dessas falha, eu paro. Eu não acelero.
Porque eu não vendo pressa. Eu vendo previsibilidade.
E previsibilidade só existe quando a casa está inteira.
Uma casa mal fechada até abriga, mas obriga quem mora nela a dormir em alerta. Só a casa inteira permite descanso real.
"O seu trabalho hoje te permite descansar — ou te mantém sempre em estado de defesa? "
Se você trabalha com biomassa, florestas, energia ou indústria, talvez isso te cutuque: o seu próximo salto pode não ser expandir. Pode ser fechar melhor a porta.
Talvez você não precise de mais clientes.
Talvez você precise de menos clientes — mais certos.
Talvez você não precise de mais marketing.
Talvez você precise de mais fronteira.
Em 2025, a Ignis Bioenergia virou casa. E casa não grita. Casa sustenta.
Se você quiser um teste rápido (sem planilha, sem teatro), aqui vão cinco sinais de corredor — e eu vi todos eles em 2025:
Você termina o dia com a sensação de que trabalhou muito e construiu pouco.
Você explica, explica, explica… e o outro lado continua “quase decidindo”.
A agenda vira refém de urgência alheia.
O projeto começa sem dados e termina com desculpas.
E, no fim, você percebe a mão suando de novo — não de esforço técnico, mas de tensão relacional.
Quando esses sinais aparecem, não é falta de capacidade. É falta de porta.
Esse artigo não é sobre crescer mais.
É sobre sangrar menos.
Às vezes, o próximo salto não é abrir outra porta.
É fechar a certa.
"Em 2025, a Ignis Bioenergia virou casa.
E casa não grita. Casa sustenta."
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